Doses homeopáticas de sabedoria – parte 2

2. Muitos (autoridades e teóricos da educação, coordenadores…) falam de interdisciplinaridade e não enfrentam a questão da transdisciplinaridade. Constroem, assim, um estelionato pedagógico. Na última vez que consegui explicar isso direito, disseram-me os diretores: “Isto não pode ser feito”. Pareciam os fabricantes de carroças querendo evitar que se criasse o automóvel. A interdisciplinaridade, boa para a ação – como a dos médicos – é boa, também, para o ensino superior ou para qualquer ensino profissionalizante, onde a especialização que as disciplinas trazem é benvinda. No ensino básico, ela dará mais força às disciplinas, o que é profundamente nefasto. Por causa de alguns saberes – de resto mal formulados – os alunos perdem toda aquela amplidão de saber que construímos e seguimos construindo. A transdisciplinaridade ultrapassa as disciplinas e propõe o trabalho com temas, sem o enfoque de nenhuma disciplina, mas com uso do método científico.

Texto de Danilo Gandin

Doses homeopáticas de sabedoria…

Meu pai, Danilo Gandin está escrevendo no Facebook dele alguns trechos de reflexão que são fundamentais para repensar a escola e a educação. Vou reproduzi-los aqui no meu blog com o título carinhoso de “doses homeopáticas de sabedoria”. Acompanhe por aqui ou diretamente no Facebook dele. Boa leitura e reflexão.

1. Entre as muitas questões que a escola básica sugere, a mais importante é a do currículo. Qualquer mudança nele vai influenciar outras mudanças necessárias; sem transformações curriculares, as outras serão inteiramente inócuas. É urgente uma transformação curricular na direção da transdisciplinaridade. Causa preocupação e constrangimento ver, por exemplo, que o Conselho Nacional de Educação escreva que o ensino médio terá quatro grandes áreas e, depois, diga as disciplinas de cada área, voltando exatamente ao que hoje se faz. Penso que, apesar de os professores poderem, sozinhos, introduzir mudanças transdisciplinares, as autoridade têm mais do que a metade das responsabilidades pelo nossa tristeza escolar.

Texto de Danilo Gandin

 

Educação conectada e sem distância

Educação conectada e sem distância

By Adriana Gandin & Ingrid Strelow*

Todos os educadores escutam: “É preciso falar a linguagem dos alunos!” Mas a tarefa é delegada a eles sem que haja espaços de formação. Para que haja apropriação do aparato tecnológico como ferramenta pedagógica, é preciso que se permita ao professor tempo para explorá-lo, criticá-lo, utilizá-lo no seu dia a dia (dentro e fora da escola) para que tenha condição de refletir, sozinho e com seus colegas, sobre as possibilidades e benefícios de uso dele na sua prática pedagógica com os alunos.

O momento exige uma mudança qualitativa na prática pedagógica de professores e de alunos. Há a necessidade de o professor aprender mais e o aluno ensinar mais. Só será possível uma mudança real se houver uma dose de coautoria que seja bem partilhada entre alunos e professores. O trabalho com as novas tecnologias exige um trabalho de parceria, de pesquisa, de investigação, de compartilhamento e de verdadeira construção do conhecimento que responda adequadamente às grandes questões e desafios de nosso tempo.

O texto na íntegra está publicado em http://porvir.org/opiniao_post/educacao-conectada-sem-distancia

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* Adriana Gandin é pedagoga, especialista em gestão de pessoas, assessora da Rede La Salle e do Colégio Israelita Brasileiro e diretora pedagógica do projeto iPad na Sala de Aula.

* Ingrid Strelow é licenciada em ciências biológicas, mestre em educação, auxiliar substituta do Colégio João XXIII.

Participação no 20º Educar/Educador

Adriana Beatriz Gandin, diretora pedagógica no projeto iPad na sala de aula, ligado à EADes Envolvimento Humano, também defende a formação de professores. “É fundamental aproveitar o conhecimento prévio de cada professor, incentivando projetos e atividades que contemplem um melhor aproveitamento das experiências que os alunos têm em suas vidas, com a internet, vídeos, músicas, redes sociais e jogos, coisas pelas quais se interessam”, diz.

Para Adriana, é fundamental entender que o tablet é uma ferramenta de apoio ao professor e ao aluno. “Ambos podem realizar muitas atividades e montar projetos interdisciplinares com o uso do tablet”, acredita. Entre algumas ações que podem ser desenvolvidas, a educadora destaca: utilizar inúmeros aplicativos para o trabalho com temáticas e/ou conteúdos específicos; criar e ler textos e livros digitais; elaborar e projetar vários tipos de apresentação de slides; pesquisar na internet e em aplicativos de jornais e revistas; escrever textos; tirar e editar fotos; criar vídeos; fazer diferentes gravações; criar conteúdos para blogs, compartilhar ideias; comunicar-se com alunos e profissionais em outras escolas; e muitas outras possibilidades, não apenas na sala de aula ou no ambiente escolar, mas em visitas de estudo, aulas ao ar livre etc.

Para mais informações sobre esse assunto, acesse dois artigos escritos pela educadora Adriana Gandin.

Confira a PROGRAMAÇÃO do 20º Educar/Educador.
Crédito da Notícia: Jornalista Brisa Teixeira / Parceira da Presença – Comunicação EducacionalFoto: Divulgação
Texto original publicado em http://www.futuroeventos.com.br/educar/noticias/uso-tablet-em-sala-de-aula-sera-tema-de-mesa-redonda-na-20a-educar/

 

Encontro de gerações nas escolas – A interação entre escola, pais e alunos

By Adriana Beatriz Gandin  & Elisa Becher Ávila

Nos últimos anos, podemos perceber uma aceleração do tempo, do modo de ver e de fazer as coisas, do jeito de produzir e de aprender. E a tecnologia é decisiva na criação de marcas de tempo. O intervalo entre gerações, que antes era de 25 a 30 anos, ficou mais curto. Hoje já se fala em uma nova geração a cada 10 ou 15 anos. E isso significa que mais pessoas de diferentes gerações estão e estarão convivendo em ambientes como o trabalho, a escola e em casa.

Muitos pais e professores nasceram num tempo em que a televisão era o principal meio de comunicação. Conforme Franco e Santos Neto (2010), esses mesmos pais e professores convivem hoje com crianças e jovens que estão, quase todo o tempo, numa realidade tecnológica e virtual muito mais avançada do que aquela que eles experimentaram. As crianças e adolescentes de hoje já nasceram no mundo em que internet, celulares, computadores, tablets, videogames, redes sociais etc. são considerados parte da realidade e, portanto, indispensáveis.

A questão é como a escola pode lidar com as diferenças entre as gerações, tornando-se um espaço de convivência pacífica, de tolerância, de respeito e, conforme sua finalidade, de aprendizagem e construção de conhecimento?

Entender as características e como cada geração pensa e age pode minimizar alguns problemas e melhorar as relações. Nossa intenção, portanto, é apresentar as particularidades de cada geração, não assumindo tal caracterização como uma verdade acabada e generalizada. Trata-se de esclarecer traços específicos de cada geração que, se reconhecidos, podem ser melhor trabalhados e respeitados. A seguir, de acordo com Viana (2008), passamos a apresentar cada geração e suas características.

Com o final da segunda guerra e a volta dos soldados para casa, muitas mulheres engravidaram. Houve um “boom” de bebês.  Por isso, a geração que começou a partir desse fato histórico é chamada de “Baby Boomers”. É formada por pessoas que nasceram entre 1946 e 1964 e que tinham como ideal reconstruir o mundo no pós-guerra. É a geração que, no Brasil, viveu a ditadura e que conviveu com os militares no poder. Valorizavam a segurança e a estabilidade no trabalho e nos relacionamentos. Os integrantes da geração baby boomers têm hoje entre 48 e 66 anos de idade.

Já os integrantes da chamada geração X, nasceram entre 1965 e 1978. Essa geração é formada por pessoas que passaram pelo movimento hippie, pela revolução sexual, e, no Brasil, pelas “Diretas Já”. Viram a tecnologia e a internet iniciar, lutaram pela paz e pela liberdade, mas, por outro lado, viveram, no Brasil, crises econômicas e o desemprego. Portanto, também é uma geração que apresenta certa rigidez, uma vez que aprenderam que só é possível conquistar algo por meio de muito trabalho e de muita responsabilidade. Essa é a geração da maioria dos pais e professores, que tem hoje entre 34 e 47 anos.

Os integrantes da geração Y, aqueles que nasceram entre 1979 e 1992, são os que consolidaram a revolução tecnológica e a globalização e que convivem com a diversidade de uma forma mais natural e sem preconceitos. Tem a necessidade de melhorar o mundo e de ser diferente. É a geração da agilidade e da rapidez, movida pela preocupação com o sucesso profissional. Os integrantes desta geração são pessoas preocupadas com seu bem-estar e com o prazer. Participativos, buscam atualização constante e estão sempre em busca de desafios. São pessoas que têm hoje entre 21 e 33 anos.

A Geração Z, dos nascidos após 1993 e que estão, portanto, na faixa de 0 (zero) a 19 anos, é a única geração que não teve migração para era digital, pois já nasceram na era virtual. Segundo Wiesel (2012), os nascidos nessa geração têm perfil altamente tecnológico e multitarefas em um mundo quase essencialmente virtual. Para esses indivíduos, prevalece a obsolescência (as coisas perdem valor rapidamente). É a geração dos empreendedores natos, que vivem os benefícios trazidos pela geração Y, porém são ainda mais imediatistas.  É a geração que está na escola de educação básica e que não tem muita paciência para entender a desconfiança e a rigidez da geração X, por exemplo. São impacientes e com a tecnologia à disposição, conseguem informações e se comunicam instantaneamente e virtualmente. Por isso, têm muita dificuldade para lidar com as estruturas tradicionais das escolas e também com os relacionamentos interpessoais.

Por passarem muito tempo sozinhos, estão acostumados a fazer as coisas de forma independente, do jeito que querem e quando querem. Por isso, também apresentam problemas em lidar com a autoridade e em dividir.

Podemos perceber que a construção da personalidade e dos valores das novas gerações, principalmente da geração Z, está acontecendo de forma bastante diferente daquela das gerações anteriores. Houve uma ruptura na forma de ver o mundo e as mudanças estão acontecendo mais rapidamente. As gerações Y e Z estão, mesmo que sem perceber, transformando ou mesmo derrubando os conceitos criados e consolidados pelas gerações anteriores.

Para Franco e Santos Neto (2010), os jovens hoje são considerados preguiçosos ou menos inteligentes que indivíduos das gerações anteriores, nas quais a cultura era baseada em conceitos tradicionais. Porém, ao menor sinal de liberdade, mostram-se muito inteligentes e capazes de criar coisas fabulosas. No entanto, esses jovens são também vítimas de seu tempo, visto que muitos pais ainda estão presos a outros paradigmas e muitos professores estão despreparados para lidar com as questões acima apontadas, acomodados e aprisionados a velhos modelos, resistentes a uma compreensão mais ampla do processo de ensino-aprendizagem. Alguns deles não conseguiram se libertar completamente da noção de trabalho/emprego e educação/escola que herdaram da outra geração e não conseguem lidar com a aparente falta de responsabilidade dos filhos e alunos.

Aos pais, cabe maior envolvimento não só na vida escolar dos filhos, mas em todas as instâncias, pois a qualidade da educação começa dentro de casa.

À escola, frente às novas realidades e às constantes mudanças, é confiado também o papel de fazer com que as diferenças entre as gerações sejam diminuídas e respeitadas. Portanto, buscar aproximar-se e entender o jeito de pensar e aprender das novas gerações, principalmente a Z, será decisivo para construir um melhor processo de ensino-aprendizagem. É fundamental que a escola se aproprie de ferramentas pedagógicas novas, que são bastante familiares para essa geração. Buscar atividades de integração entre a família, os alunos e a escola e promover momentos de escuta dessas gerações, devem fazer parte das atividades das instituições que procuram maior entrosamento entre a comunidade escolar e que, tentando compreender e buscando alternativas para solucionar problemas, prosperem na missão de formar cidadãos conscientes para construção de um mundo melhor.

Referências

FRANCO, Edgar Silveira; SANTOS NETO, Elydio dos. Os professores e os desafios pedagógicos diante das novas gerações: considerações sobre o presente e o futuro. Revista de Educação do Cogeime.  Ano 19, n. 36. janeiro/junho 2010. Disponível em: Acesso em: 28 set. 2012.

VIANA, Fernando. Os novos tempos: convivência das gerações X e Y nas empresas. 2008. Disponível em: Acesso em: 29 set. 2012.

WIESEL, Gilberto. As novas demandas das gerações X, Y e Z. Congresso Educacional Da América Latina Educar/Educador, 2012. Disponível em: Acesso em: 28 set. 2012.